Há ampla evidência de que o investimento na educação é uma condição necessária, para o aumento da produtividade, melhorar a distribuição de renda, e para a consolidação da democracia.
A educação por si só não é condição suficiente para o crescimento, contudo é condição necessária, pois não há caso de sucesso dentre países que pouco cuida de sua educação.
De fato estima se que hoje, nos países avançados 75% do capital seja o conhecimento (know-how), ou seja, educação e crescimento estão intimamente ligados.
Educação custa dinheiro e não é pouco, no Brasil se gasta mais de 5% do PIB, e está na média mundial e há países gastando menos e conseguindo resultados bem melhores. Seja como for em números de funcionários o ensino é a maior industria do país.
O ensino básico segundo dados do site do instituto nacional de estudo e pesquisas educacionais Anísio Teixeira (INEP) ocupava 2.908.873 professores em 2006. Além disso, se contarmos os cursos informais, o tamanho econômico do setor de ensino se aproxima de 10% do PIB (CASTRO ET AL, 2006), portanto não se gasta pouco.
Não obstante, no ensino fundamental os gastos são insuficientes. Esse é um nível em que deveríamos dedicar bem mais recursos. Considerando que um aluno do fundamental custa um décimo do que se gasta com universitários da rede federal.
As estatísticas e os testes não deixam dúvidas: em matéria de educação o Brasil esta mal, apesar dos grandes avanços na matricula.
Somente em meados da década de 90 conseguimos universalizar a presença de crianças de 7 á 14 anos nas escolas. Foi muito tarde. Contudo a reprovação, repetência continua muito altas na transição da 4° para 5° serie é altíssima na 8° serie e no médio estas são as mais altas do mundo.
O grande escolho hoje é a má qualidade de ensino oferecido e boa parte pela repetência e evasão que aceleram a partir dos 14 anos. Nos testes do PROGRAMME FOR INTERNATIONAL STUDANT ASSESSMENT (pisa) estamos dentre os últimos ligados em um conjunto de países que hoje atinge um numero de 50.
Faz se imperioso recrutar melhor, pela lógica, a primeira providência para melhorar o em sino é recrutar professores com mais talento e potencial. Instrumento valioso são os programas de universidade para todos (Prouni) e o credito educativo, no lado financeiro se forem oferecido vantagem financeira para matriculados no curso de formação de professores, deve ser possível atrair para eles alunos mais talentosos.
As políticas de aumento salariais puros e simples são ineficazes, por tudo o que sabemos – que não é pouco. Comparando estado e países, não há correlação entre nível salarial dos docentes e qualidade de ensino. Por outro lado, adicionais por desempenho, seja para a escola, seja para o professor estão mostrando resultado muito positivo em muitos paises e mesmo em alguns experimentos brasileiros. Esse é o caminho.
A avaliação dos professores é um tema delicado. Por tudo o que sabemos, pela via da pesquisa, os cursos de reciclagem de professores, são ineficazes. Simplesmente não melhoram o desempenho dos professores em sala de aula. Não obstante, como demonstra a experiência dos “sistemas de ensino”, cursos de como ensinar e como usar os livros adotados se revela altamente produtivos.
A carreira de docente apresenta equívocos lamentáveis que, ademais são politicamente difícil e serem sanados. A estabilidade de cátedra torna virtualmente impossível se ver livre de professores descomprometidos e negligentes. O progresso na carreira não pode ser apenas por antiguidade ou por cursos realizados. Nem um nem outro, deve estar estatisticamente associado ao desempenho, precisa ser avaliados periodicamente e o acumulativo de tais avaliações terem um peso sério nas promoções.
Um problema sério em muitos lugares é a impunidade diante do absenteísmo e em outros o excesso de rotatividade impossibilitando qualquer plano de melhoria do ensino. Uma alternativa politicamente menos traumática seria criar uma estrutura paralela de adesão voluntária. Quem quisesse optar por ela passaria por uma seleção mais rígida e seus salários teriam uma parte fixa e outra variável dependendo do desempenho. Igualmente as promoções seriam respaldadas pelo desempenho em sala de aula.
O outro lado da equação é que os professores se sentem desamparados e alienados diante de uma maquina burocrática impessoal e injusta.
É preciso ajustar as formas de relacionamento hierárquico e pessoal. Dando ao professor o justo valor e auto-estima que merece.
Quer pensamos em justiça ou em resultados, não é possível em um ensino de qualidade com professores insatisfeitos ou se sentindo desvalorizados.
Referência bibliográfica: Eboli ET AL, educação corporativa, edição especial S.Paulo, editora ATLAS S.A. - 2011
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Todos os comentários seram submetidos a avaliação...